Eco-Monotonia

ricardoc4 | | 4 Comentários | 749 Visualizações

A industria automóvel está a sofrer muito com a crise económica que é transversal a quase todos os sectores da sociedade. Também ela teve de encontrar formas de sobreviver, munindo-se de novas abordagens ao mesmo produto de sempre: o automóvel.

O aumento dos combustiveis e a incerteza quanto ao futuro no que diz respeito às reservas existentes de petróleo bem como a criação de uma maior consciência ambiental ditou um traçado a meu ver sem volta atrás: a criação em massa de veículos que dispensam o uso do ouro negro, movendo-se a electricidade e a gás. Confesso que tinha alguma preocupação quanto à perda de potência em termos significativos mas a verdade é que as marcas estão aos poucos a lançar modelos com potências semelhantes aos veículos a gasolina e gasóleo.

Isto seria motivo de celebração, tantos anos de submissão ao petróleo finalmente com fim à vista…mas infelizmente não é isso que sinto…

Estamos a caminhar para automóveis sem emissão de barulho, com formas cada vez mais estranhas e menos desportivas (exceptuando casos raros), com todas as ajudas e mais algumas na condução, colocando o condutor numa posição menos divertida do que nos tempos dos primeiros TVR e Ferrari por exemplo. Defendo o conforto como é óbvio mas sinto que se está a perder emoção na condução, e isso é algo que me parece difícil que um carro eléctrico alguma vez me transmita. Já não é possível voltar atrás com a “onda verde” e racionalmente sei que é um passo indispensável para que este planeta continue próspero, mas a minha veia de amante do mundo automóvel sente que cada vez mais se afasta e se tenta esquecer aquela era da gasolina, dos V8 sobrealimentados, dos 4 escapes a lançar fumo ao mesmo tempo que os pneus chiam de tanto sofrimento que são submetidos. Continua a queimar-se borracha claro, e não acredito que os desportos motorizados cedam perante a eco-consciência, mas ainda assim já não dá para voltar atrás, e isso sente-se diariamente na estrada, os bi-fuel, os full hybrid que passam, todos eles dizem o mesmo, a era da gasolina a 1€ o litro e das grandes cilindradas vai aos poucos terminar, os motores vão ocupar menos espaço e dar lugar a baterias, ao carregar à noite o telemóvel também não se vão esquecer de carregar o carro, e assim por diante!…

Cresci com supercarros dificeis de domar, e hoje vejo o Aventador a ser chamado de Audi em ponto grande pela autoridade Top Gear, vejo Porsches a Diesel e a divisão M da BMW lançar um M5 a Diesel…são sinais dos tempos e compreendo que é uma mudança necessária mas não deixa de criar saudosismo a quem, como eu, viu centenas de horas de ensaios de automóveis perversos e com uma “monabrabilidade” dificil, com motores quase a sair do capot e pneus largos. O mundo automóvel tornou-se civilizado, ainda existe quem tenta quebrar esta tendência, mas é só uma questão de tempo até tudo se tornar mais homogéneo…

4 Comentários

  1. Mfk33

    Concordo consigo. Nada substitui um motor a gasolina…
    No entanto, creio que estes eléctricos com um design futurista irão dar origem também a versões desportivas, com maior potência e um design agressivo. Os carros eléctricos têm muito binário, o que significa que são muito rápidos a acelerar… pena é a autonomia ser pequena. Mas esse problema será tratado daqui a uns anos ou umas décadas. A IBM, por exemplo, está a desenvolver uma bateria de lítio-ar cuja autonomia será superior a 800 km. É tudo questão de tempo, mas acho que os motores a gasolina nunca deixarão de existir, e também não acho que os desportos motorizados adiram a essa “onda verde” (pelo menos por agora).

  2. ricardoc4

    Não sabia que a IBM estava a desenvolver uma bateria com tamanha autonomia. Acredito que será tudo uma questão de tempo até o problema da autonomia ser muito mais mitigado. Acredito que por exemplo quem decida comprar o I-MIEV da Mitsubishi irá ficar arrependido daqui a uns tempos pois a sua autonomia é bastante diminuta .

    Agradeço a sua opinião e concordo consigo, também não acredito que os desportos motorizados cedam à onda verde, embora ache bastante interessante o que a Ferrari está a fazer com o novo Enzo híbrido. Ou seja, acredito que com o avançar do tempo se assista ao surgimento de mais hibridos com uma parte eléctrica mais significativa, em vez de eliminar por completo a gasolina.

  3. Hattori

    Concordo com o que digo mas tenho alguma esperança nos híbridos. Recordo que já existe o CR-Z, com caixa manual (é um bom carro e bastante divertido de conduzir, acredite) e tem por exemplo o toyota que competiu em le mans e já ganhou até um grande prémio mundial. Tem um roncar bonito (isto quanto ao assunto dos carros cada vez mais silenciosos. http://www.youtube.com/watch?v=DCkroOUrqHQ

    Cumprimentos.

  4. ricardoc4

    Confesso que este toyota que enviou tem um som que claramente nada tem a ver com um hibrido normal. Já existem muitos hibridos com potências muito interessantes, no capitulo dos totalmente eléctricos a conversa já é a outra e a autonomia dos mesmos ainda não os coloca como substitutos naturais dos movidos a combustivel fóssil. Obrigado pelo seu comentário, cumprimentos.

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