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Saab 900 SE Turbo Convertible

nuno_br | | 9 Comentários | 4333 Visualizações

  • Marca
  • Modelo
    900 SE Turbo Convertible
  • Motor
    2.0 Turbo 16V
  • Cor
    Bordeaux Metalizado
  • Potência (CV/NM)
    185 cv / 263 Nm
  • Utilização
    Esporádica
  • Quilómetros
    180000
  • Data Matrícula
    03/1995
  • Consumos
  • Urbano
    12.0 l/100km
  • Extra-Urbano
    9.8 l/100km

Sobre o Carro

Este carro está nas nossas mãos desde 2006 e devo começar desde já por indicar as suas principais características: o motor, o conforto e, claro, o facto de ser descapotável.
 
DESEMPENHO (4/5):
. Que motor! É um monstrinho de 2 litros com 185 cv e bastante força. A melhor forma de o descrever é dizendo que é turbo da “velha guarda”. Pode soar a “cliché” mas é exactamente assim que ele se comporta, ou seja, há bastante turbo-lag (período de tempo em que o turbo não se faz sentir) mas depois vem a potência toda de uma só vez, o que proporciona bons momentos de diversão quando se aprende a utilizar os diferentes regimes de rotação do motor. No entanto, o turbo parece por vezes hesitar em entrar em acção.
. No geral, o desempenho é bastante bom e ele dispara de velocidade com uma facilidade tremenda. Manter velocidades de cruzeiro altas não é dificuldade nenhuma, antes pelo contrário.
. Chegamos agora a um dos pontos fracos deste carro: o consumo! Como seria de esperar para um carro desta potência e da época que é, farta-se de beber. O consumo médio dificilmente vai abaixo dos 10l/100km a menos que se faça um grande esforço, o que significa deixar de parte qualquer divertimento com o pé direito. Do que sei de outros proprietários de Saab 900 Turbo, os 10 litros parecem ser de facto o valor mais comum. Se tomarmos mais liberdades com o pedal do acelerador esse valor sobe com demasiada facilidade até aos 13,5 ou mais. Não é por acaso que tem um depósito de gasolina de quase 70 litros!
 
COMPORTAMENTO
. Uma consequência típica de um carro que permite a condução com os cabelos ao vento é a perda de rigidez estrutural do chassis face a um igual carro de capota rígida. No Saab 900 essa falta de rigidez sente-se claramente, particularmente quando se atacam as curvas com mais empenho ou ao passar por lombas ou buracos na estrada. Só para terem uma ideia, uma vez em que o carro (com a capota para baixo) foi colocado num elevador para mudar os pneus, não consegui abrir a porta tal era a flexão do chassis. Esta questão, contudo, não é exclusiva deste carro, e ainda hoje é um problema que afecta descapotáveis modernos.
. Apesar do que foi dito acima, o carro curva com bastante eficácia. No entanto, outro inimigo nesta tarefa é a sub-viragem o que, sendo uma máquina de tracção à frente com 185 cv, não constitui surpresa. Pela mesma razão sofre de montes de “torque steer” – problema que ocorre quando a força do motor (binário ou “torque”) faz com que a direcção vire (“steer”) numa determinada direcção que não a pretendida. Em arranque, que é quando se sente mais este efeito, o controlo de tracção faz o melhor que pode para evitá-lo.
. Outro problema deste carro é que a direcção assistida parece por vezes ter vindo de outro produto da Saab: os camiões da Scania. Não é que ela seja muito pesada, mas não transmite qualquer feedback e não incute confiança nas capacidades do carro. Mas não duvidem que o carro tem capacidades. Depois de o conhecermos e aprendermos a lidar com as suas características torna-se numa máquina fenomenal.
. A caixa manual de 5 velocidades não é nada de especial. As mudanças nem sempre se executam de forma fluída e, além disso, quando uma mudança está engrenada sente-se a manete ligeiramente solta. Curiosamente, não me parece que isto seja defeito mas antes feitio dos carros suecos desta época – conduzi bastante uma Volvo V40 1.8 de 1997 que tinha exactamente o mesmo funcionamento. Que me dizem vocês?
. O pedal da embraiagem é um pouco pesado.
. Os travões (com ABS) cumprem a sua tarefa mas podiam “morder” melhor e dar mais feedback.
 
CONFORTO E INTERIOR
. Se não estivermos a “puxar” muito por ele é um carro que convida a uma condução tranquila e relaxada, com um motor bastante suave e que mal se houve. Essa é na verdade a única forma de manter este motor “sedento” longe das bombas de gasolina.
. O cruise control funciona mesmo muito bem e as alterações de velocidade processam-se de forma simples e muito suave, nada de acelerações ou desacelerações bruscas como por exemplo acontece com a minha Renault Mégane de 2009.
. A suspensão foi claramente concebida tendo em conta não uma orientação desportiva mas sim de conforto. É extremamente confortável e só em pisos mais degradados se sente algum abanão, muito por culpa da já referida falta de rigidez do chassis.
. Só esses abanões provocam algum tipo de ruído dos plásticos e materiais interiores, que estão ainda em excelentes condições, consequência da utilização de bons materiais para a época e uma óptima qualidade de construção.
. Com a capota fechada há algum ruído de vento quando se circula maior velocidade – o isolamento já não é provavelmente como seria quando ele era novo.
. A posição de condução é boa e facilmente ajustável, podendo ser alterada a altura e inclinação do banco e, claro, a sua distância ao volante que é pode ser ajustado em altura e profundidade.
. Os assentos são muito confortáveis e ergonómicos, algo típico de praticamente todos os carros suecos desde há já muitos anos. Os assentos de trás são exclusivamente para dois passageiros e podem ser um pouco claustrofóbicos com a capota fechada. O acesso a esses lugares não é mau mas podia ser melhor e, ao sair deles, é preciso ter cuidado para não tropeçar nos cintos de segurança dos assentos da frente.
. O facto de ter um pára-brisas e tejadilho muito baixos, plásticos escuros e estofos em pele negra, criam um ambiente muito escuro. É claro que tudo muda quando a capota vai aberta, que é como deve andar um carro destes.
. A visibilidade é globalmente boa visto que os pilares A são finos e não tem pilares B. Já para trás não se pode dizer o mesmo, por causa do diminuto óculo traseiro, problema típico de muitos descapotáveis. Também para a frente podem surgir dificuldades para condutores mais altos (não é o meu caso 🙂 ) que correm o risco de ficar a olhar quase directamente para a moldura do baixo pára-brisas.
. O facto de ser praticamente impossível perceber onde estão os limites do carro à frente e atrás torna o estacionamento e manobras em espaços curtos numa grande dificuldade. A culpa é sobretudo dos protuberantes pára-choques. Por essa razão instalamos sensores de estacionamento atrás.
. Existem alguns compartimentos fechados e abertos para guardar coisas no interior. O espaço na mala é, como seria de esperar, pouco generoso, particularmente com a capota aberta, mas é fácil utilizar o espaço disponível.
 
SEGURANÇA
. Tem ABS e controlo de tracção.
. Tem airbag para o condutor e passageiro da frente.
. Os Saab, embora não tanto como os Volvo, sempre tiveram fama de ser seguros em caso de acidente mas a verdade é que este já é um modelo antigo, construído com diferentes padrões de segurança dos actuais. Nos teste EuroNCAP obteve a pontuação de 2 estrelas.
 
ESTÉTICA
. Não é nenhum espanto mas por certo que não é feio. Falta-lhe o carisma do anterior Saab 900 (primeira geração) que eu adorava ter, mas esses negoceiam-se por outros valores… Tendo dito isto, acho esta geração do 900 um carro elegante, discreto e subestimado. Tem um certo charme e classe que de modo algum nos faz sentir como um “gigolo” como acontece com alguns descapotáveis da mesma época. E com a capota aberta torna-se ainda mais elegante. Não é propriamente um carro com uma imagem “jovem”, mas compensa com o facto de ser pouco comum.
. O interior é apenas simples e funcional e pouco atraente. Apesar do ambiente escuro prefiro os plásticos pretos ao painel em imitação de madeira tão populares na altura e que revelam muito mais a idade do modelo.
 
OUTRAS CARACTERÍSTICAS
. Dispõe já de um computador de bordo, ou SID (Saab Information Display) como lhe chama a Saab, sendo o primeiro modelo da marca a dispor dessa tecnologia. Este indica o consumo médio, a autonomia, a temperatura externa, e todas as mensagens de aviso e diagnóstico, além de controlar diversas funções como sinais sonoros dos piscas, etc.
. Uma outra novidade deste modelo foi a funcionalidade “Black Panel” que desliga os indicadores do painel e apaga todas as suas luzes ao toque de um botão, ficando apenas activo o velocímetro e a sua a iluminação. A ideia é minimizar possíveis distracções por causa das luzes no painel durante a condução nocturna, sendo apenas ligados os indicadores que requerem a atenção do condutor como, por exemplo, o conta-rotações se a velocidade do motor aumentar muito depressa ou o indicador do nível de combustível quando este cai abaixo dos 15 litros. É um “gadget” engraçado mas na verdade pouco útil.
 
FIABILIDADE E ASSISTÊNCIA
. Em termos de mecânica está impecável. Apenas me preocupam as ocasionais hesitações do turbo que já mencionei. De resto, os Saab têm boa fama no que respeita a fiabilidade.
. O mecanismo da capota eléctrica deu-nos muitas dores de cabeça quando adquirimos o carro, frequentemente não abrindo ou fechando completamente. Depois de demasiadas visitas a um electricista amigável e paciente, para diversas afinações, ficou a funcionar bem.
. O referido computador de bordo SID tinha inicialmente alguns pixeis apagados, um problema extremamente comum nestes sistemas entre 1994 e 2003. Contudo, e passado cerca de um ano de o termos, curou-se desse problema sem qualquer intervenção!
 
PONTUAÇÕES (1 a 5):
. Potência: 4/5
. Comportamento: 3/5
. Consumo: 2/5
. Travões: 4/5
. Segurança: 3/5
. Estética: 3/5
. Preço: 4/5
. Custos de manutenção: 3/5
. Fiabilidade: 4/5
. Lugares à frente: 5/5
. Lugares atrás: 2/5
. Espaço interior: 3/5
. Capacidade de carga: 2/5
. Equipamento: 4/5
. Visibilidade: 3/5
. Carro de família: 1/5
. Viagens longas: 4/5
. Utilização diária: 2/5
. Estacionar: 1/5
. Conforto: 4/5
. Barulho no interior: 3/5
. GERAL: 4/5
 
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS:
. Motor: 1985cc – 4 cilindros em linha – 16v – com turbo-compressor
. Potência: 185 cv @ 5500 rpm
. Binário: 263 Nm @ 2100 rpm
. Posição do motor: Frente transversal
. Rodas motrizes: Frente
. Transmissão: Manual 5 velocidades
. Peso: 1430 kg
. Relação peso/potência: 7,7 kg/cv
. Rodas: 205/50 R16
 
DESEMPENHO:
. Velocidade máxima: 220 km/h
. 0 a 100 km/h: 7,7 s
. 0 a 160 km/h: 18,5 s
. 0 a 400 m: 15,4 s

Aspectos Positivos

  • Descapotável elegante e discreto.
  • Turbo da velha guarda proporciona bons momentos de diversão.
  • Muito confortável.

Aspectos Negativos

  • Consumos! Consumos! Consumos!
  • O mecanismo da capota já deu chatices.

Extras / Alterações

Motor

  • N/A

Audio

  • Caixa de CDs

Interior

  • Sensores de estacionamento atrás
  • Alarme
  • AC climatizador
  • Cruise control

Exterior

  • Jantes de liga leve de 16''

Imagens

Vídeos

9 Comentários

  1. Miguel Lucas

    Mais uma grande máquina vinda aí da garagem! hehe

    Este convertible é um modelo muito raro mesmo, e uma potência incrível para a altura em que foi comercializado.
    A primeira coisa que me lembrei foi os problemas da capota. Foram de fácil resolução?

    Abraço

    • nuno_br

      Os problemas da capota foram de resolução relativamente económica e simples mas, como eu irei explicar no DB, deram inicialmente algum trabalho a perceber e resolver. Depois, apesar de recorrentes, tornaram-se simples de resolver até estar completamente afinada e sem problemas.

  2. MiguelGP

    “Serra Alpha Alpha Bravo” 🙂
    Esta marca sempre me fascinou . Ainda há tempos no TopGear falaram sobre a SAAB , fiquei a saber alguns factos curiosos , e falaram também de um modelo SAAB turbo , não me lembro ao certo qual .

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