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Fiat Punto 1.9 JTD 3p

nuno_br | | 17 Comentários | 11939 Visualizações

  • Marca
  • Modelo
    Punto 1.9 JTD 3p
  • Motor
    1.9 JTD
  • Cor
    Preto
  • Potência (CV/NM)
    80 cv / 196 Nm
  • Utilização
    Diária
  • Quilómetros
    188000
  • Data Matrícula
    12/2000
  • Consumos
  • Urbano
    5.7 l/100km
  • Extra-Urbano
    5.2 l/100km

Sobre o Carro

VENDIDO – já não está comigo 🙁

Última actualização: 2015-11-09
 
. É o meu carro do dia-a-dia. Esteve sempre na minha mão e foi praticamente o meu primeiro carro (tive um Opel Corsa 1.5D usado durante 2 semanas que não convenceu), por isso muita da minha experiência de condução foi “ganha” nele.
. É prático e o seu desempenho está acima das expectativas da maior parte das pessoas. Como muitos dos pequenos modelos da Fiat, é surpreendentemente divertido de conduzir.
. É a versão comercial (“carrinha”), com as desvantagens que isso implica para alguém que não o usa nessa vertente.
 
DESEMPENHO:
. Os seus 80 cavalos podem não parecer muito promissores mas a caixa bem escalonada e a boa entrega do binário (196 nm) dão bem conta do recado. Não lhe falta força, acelera muito bem desde as baixas rotações (1500 rpm) e faz umas óptimas recuperações o que o torna rápido e ágil, o ideal para se desenvencilhar no trânsito e ultrapassar em segurança. Não vale a pena puxá-lo acima das 3500 rpm.
. “Bebe” pouco mesmo quando se “puxa” mais por ele. Faz médias de 5,5L/100km, mesmo com o pé um pouco pesado. Se nos esforçarmos o suficiente, é possível descer até aos 5,0L/100km ou até um pouco menos.
. Em auto-estrada circula sem esforço a 120 km/h a cerca de 2000 rpm.
. Já tive oportunidade de conduzir um carro idêntico ao meu com chip (cerca de 120 cv) e era de facto algo fenomenal, mas acho que a fiabilidade não era grande coisa.
. Este foi, convém lembrar, o primeiro motor de injecção directa common-rail nesta classe de carros. O ruído característico dos diesel está presente mas no habitáculo não incomoda muito.
 
COMPORTAMENTO:
. O comportamento não é propriamente desportivo mas é divertido e fácil de conduzir. A tendência natural é de sub-viragem mas apenas ocorre em situações extremas. Quando a oportunidade surge é possível obter alguma sobre-viragem com um “scandinavian flick” e um súbito levantar do pé no acelerador.
. A suspensão é um compromisso razoável entre a estabilidade e o conforto, com colunas McPherson, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra anti-rolamento à frente e barra de torção com molas helicoidais atrás. A configuração é ligeiramente dura e a baixas velocidades sente-se bastante a passagem por lombas e buracos. A sua vantagem surge no bom comportamento em curva, apesar de o carro adornar um pouquinho a maior velocidade. As suspensões também já têm uns aninhos jeitosos.
. Os travões são muito bons, especialmente tendo em conta que não tem ABS e, algo que considero importante, têm um excelente feedback e são progressivos.
. A caixa de velocidades é bem escalonada e precisa pelo que é fácil engrenar velocidades rapidamente e sem “arranhadelas”.
. O pedal da embraiagem é “duro”, mas a embraiagem ainda é a original.
. Este foi o primeiro modelo da Fiat com a direcção assistida eléctrica de duas fases “DualDrive”, agora comum em vários modelos da marca. Muitos criticam este sistema por não dar suficiente feedback em modo normal mas pessoalmente não acho que seja pior do que outras direcções assistidas eléctricas.
 
ESTÉTICA:
. Quando saiu era um dos carros mais apelativos neste capítulo, sendo particularmente dirigido a um público mais jovem.
. Gostos não se discutem mas sempre gostei do estilo e design deste modelo (a versão de 3 portas), e ainda gosto. É simples, mas ligeiramente agressivo, algo que falta à versão de 5 portas, mais orientada para a família. Acho também que é um modelo que está a envelhecer bem, ou seja, não acusa muito os anos que tem.
. Não gosto mesmo nada do facelift que lhe fizeram em 2003, que o tornou mais desinteressante e que me recorda do design dos carros coreanos de antigamente (como o Hyundai Getz). É ridículo que os Italianos se tenham decidido a não seguir o seu próprio caminho no que respeita a estilo!
 
INTERIOR:
. O interior não é propriamente atraente, apenas simples, mas bastante ergonómico. Na verdade, tem uma das melhores disposições de comandos que já tive oportunidade de experimentar pois estão bem organizados e a sua utilização é intuitiva.
. O painel de instrumentos é simples e de fácil leitura. O computador de bordo (um pioneiro nesta classe de automóveis) é bom, disponibilizando informação típica: odómetro, consumo médio, autonomia, velocidade média e tempo de viagem. No arranque do motor mostra também o nível do óleo do motor (apenas nas versões a diesel).
. O interior é espaçoso e existem compartimentos suficientes para guardar “tralhas” mas nenhum é revestido, o que é sinónimo de possíveis arranhadelas e barulhos irritantes. Tem também vários sítios com ranhuras para cartões e moedas, o que dá jeito.
. Tem boa visibilidade em todas as direcções com excepção da zona dos pilares traseiros que, pelas suas dimensões, obstruem um pouco a vista.
. Tem uma mala enorme, uma vez que é apenas de 2 lugares à frente.
 
CONFORTO:
. Os bancos dão muito bom suporte e têm bastantes regulações, como apoio lombar (algo que o mais recente Punto Evo, por exemplo, não tem). Além disso, o ajuste da altura ajusta realmente a altura do banco, ao contrário de muitos outros carros em que apenas é ajustada a posição do assento.
. A coluna da direcção é ajustável em altura.
. Com os ajustes do banco e da direcção é fácil conseguir uma boa posição de condução.
. O referido sistema de direcção assistida “DualDrive”, permite que com o premir de um botão (“City”) a direcção se torne tão leve que é possível usar um só dedo para virar as rodas. Isto é excelente na cidade (óbvio!) para estacionar ou fazer inversão de marcha. Verdade seja dita, acabamos por fazer este tipo de manobra com mais frequência do que seria desejável – culpa do relativamente grande diâmetro de viragem (10m). Para a facilidade das manobras contribuem também os espelhos retrovisores de boas dimensões e a traseira quase lisa e curta.
. No interior do habitáculo, o ruído do motor nunca chega a incomodar, sendo mais notório nos arranques a frio.
. Existem alguns ruídos parasita, como uma pequena chiadeira do pedal da embraiagem e “tremeliques” dos plásticos, mas isso é de esperar num carro barato com 12 anos.
 . O sistema de ventilação não é grande coisa. O meu não tem ar condicionado, e embora eu não seja um fã da sua utilização, não há dúvida que dá jeito em algumas situações.
. Apesar das suas qualidades, não deixa de ser cansativo em viagens longas.
 
CUSTOS E FIABILIDADE:
. As revisões programadas têm ficado numa média de 120€. Ter um mecânico bom e conhecido ajuda.
. Ao longo da sua vida já teve alguns problemas que descrevo de seguida por ordem +/- decrescente de importância.
. Só uma vez me deixou na estrada, por causa de um “simples” sensor do motor. Sensor trocado, problema resolvido. O ridículo desta história é tinha ido buscar a minha esposa cujo Volkswagen Polo 1.0 (de 2000) tinha acabado de avariar e estava a ser rebocado. Ao voltamos para o meu carro este não pegou – toca a chamar outro reboque. Que dia!!!
. O sensor de massa de ar (MAF) foi substituído duas vezes (aos 63.000 km e aos 182.000 km), o que é comum em carros com turbo-compressor, particularmente a diesel. Um dos sintomas que pode indicar a necessidade de trocar este componente é a ocasional súbita falha de potência seguida por voltar tudo ao normal.
. A direcção assistida já desligou algumas vezes, sempre no inverno e com o volante a alternar entre os limites da rotação, por exemplo a fazer manobras. Basta desligar e voltar a ligar o carro para ela “voltar”. Este é um problema crónico do Punto.
. Um engate do mecanismo do limpa pára-brisas teve que ser reparado quando o carro tinha cerca de 4/5 anos, um outro problema comum no Punto que em alguns países levou a um “recall” do modelo à oficina.
. O apoio da caixa de velocidades foi substituído aos 147.000 km.
. O rolamento de trás direito foi substituído aos 166.000 km.
. Nenhuma das 3 anteriores baterias durou muito, o que me levou a substituí-la por uma de maior capacidade (75A em vez dos anteriores 45A). Apesar de custar quase o dobro e ocupar mais espaço debaixo do capot, nota-se a diferença no arranque do motor, que se tornou mais suave, e espero que dure muito mais tempo.
. Teve uma infiltração de água nas ópticas traseiras (quando o carro contava já com cerca de nove anos).
. O painel LCD do mostrador foi substituído aos 177.000 km. Os dígitos começaram a “enlouquecer”. Este mesmo problema ocorreu no Punto 1.2 8v da minha mãe.
. Cerca de 3 ou 4 velas de pré-aquecimento tiveram que ser substituídas, mas isso é desgaste normal.
. Parece “comer” lâmpadas de médios – estas foram substituídas várias vezes mas são baratas. É uma tarefa que podem fazer vocês próprios mas aviso que devido ao espaço no compartimento do motor, ou a falta dele, é preciso algum tempo, boa iluminação, e paciência. E esmurrar um bocado os dedos! A versão 1.9 JTD é pior que os 1.2 a gasolina porque há obviamente ainda menos espaço para trabalhar.
. A luz avisadora de lâmpada fundida acende por vezes, sem razão, quando se carrega no travão. Mais um problema crónico do Punto, pelo que só lhe devem ligar se surgir frequentemente.
. O motor demora bastante tempo a atingir a temperatura óptima, particularmente quando o tempo está mais frio.
. As coberturas das luzes frontais estão a ficar embaciadas.
. O volante e manete da caixa de velocidades começou, ao fim de 12 anos e quanto o tempo está húmido, a “pelar”.
. Os braço hidráulicos de abertura da mala já não têm a força que tinham.
. A pintura já acusa o peso da idade, embora não esteja mal tratada.
 
SEGURANÇA:
. Airbag apenas para o condutor.
. Cintos de segurança com pré-tensores.
. Como já referi, não tem ABS.
. Quando foi lançado, obteve 4 estrelas nos testes EuroNCAP, na altura muito bom para esta classe de carros.
 
OUTROS ASPECTOS:
. É por vezes difícil abastecer rapidamente o depósito de combustível (49 litros), porque a pistola da bomba desliga-se constantemente. A solução passa por segurar a pistola de “pernas para o ar”!
. A escova do vidro traseiro só tem uma velocidade e não tem modo intermitente.
. A iluminação das luzes dos médios não é grande coisa.
. Os faróis têm a funcão “follow-me-home” que, depois de desligar o carro, permite manter as luzes ligadas durante algum tempo o que é útil quando estacionamos num sítio pouco iluminado. É apenas um pormenor, mas a verdade é que na altura mesmo poucos carros de topo tinham essa funcionalidade. São também reguláveis em altura.
 
PONTUAÇÕES (1 a 5):
. Potência: 3/5
. Comportamento: 4/5
. Consumo: 5/5
. Travões: 4/5
. Segurança: 3/5
. Estética: 4/5
. Preço: 4/5
. Custos de manutenção: 4/5
. Fiabilidade: 3/5
. Lugares à frente: 4/5
. Lugares atrás: 0/5
. Espaço interior: 3/5
. Capacidade de carga: 4/5
. Equipamento: 2/5
. Visibilidade: 4/5
. Carro de família: 1/5
. Viagens longas: 3/5
. Utilização diária: 5/5
. Estacionar: 5/5
. Conforto: 3/5
. Barulho no interior: 3/5
. GERAL: 4/5
 
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS:
. Motor: 1910cc – 4 cilindros em linha – 8v – com turbo-compressor (e intercooler)
. Potência: 80 cv @ 3000 rpm
. Binário: 196 Nm @ 1500 rpm
. Posição do motor: Frente transversal
. Rodas motrizes: Frente
. Transmissão: Manual 5 velocidades
. Peso: 1030 kg
. Relação peso/potência: 13 kg/cv
. Rodas: 185/60 R14 H – actualmente com pneus Bridgestone Turanza ER300, mas os meus favoritos eram os Bridgestone Potenza RE720 que já não estão disponíveis nestas dimensões. Existe contudo muita oferta, para todas as bolsas, nesta medida de pneu.
 
DESEMPENHO:
. Velocidade máxima: 170 km/h
. 0 a 100 km/h: 12.2 s
. 0 a 1000 m: 34.20 s
. Consumo médio: 5,5 l/100km

Aspectos Positivos

  • Prático.
  • Gosto da estética.
  • É rápido quando é necessário e económico quando se anda com calma.

Aspectos Negativos

  • É a versão comercial.
  • Alguns problemas/falhas ao longo da vida do carro, mas quase tudo de resolução simples.

Extras / Alterações

Motor

  • N/A

Audio

  • Rádio leitor de MP3 com CD, USB e SD

Interior

  • N/A

Exterior

  • Jantes de 14'' em liga leve.
  • Espelhos exteriores lacados e pintados à cor da carroçaria.

Imagens

17 Comentários

  1. Paulito900

    Já tive um destes. A primeira vez que o conduzi fiquei impressionado com a forma como puxava desde muito baixa rotação, nunca era realmente preciso passar das 2500 rpm numa utilização normal, e isto num carro que já tinha quase 200 000 kms. Só não gostava muito era dos interiores, tinha os estofos em azul =/
    Se for estimado tens ai carro para muitos quilómetros.

  2. Mfk33

    Eis um bom exemplo de um diário-de-bordo bastante completo, com uma descrição sucinta e agradável de ler, muitas fotografias e os “prós e contras” do carro. Apenas falta uma ou outra foto do interior, uma vez que refere que é muito ergonómico; além disso, nada mais tenho a dizer.
    Relativamente ao automóvel (a parte mais importante), parece estar bem estimado.
    Bom trabalho. 🙂

  3. nuno_br

    Brevemente irei colocar as referidas fotos do interior e actualizar o diário com mais algumas informações dos custos de manutenção, como pneus, revisões, etc…

  4. nuno_br

    Obrigado Jimy! Estão a precisar de um miminho, qualquer dia têm que ser tratadas.

    Quando se trata de problemas ou manutenção estou sempre em cima do acontecimento, mas confesso que não sou de modo algum do tipo de andar sempre a lavar o carro, bem pelo contrário.

  5. BkT

    Boas Bruno! Tive a ver aqui o teu belo diario de bordo, desde já os parabéns pela quantidade de informação passada! Tambem tenho um Punto como o teu, mas o 1.2 8v com os seus modestos 60cavalinhos cansados xD um duvida que me surgiu ao ver o teu db “O sensor de massa de ar (MAF) foi substituído duas vezes (..) Um dos sintomas que pode indicar a necessidade de trocar este componente é a ocasional súbita falha de potência seguida por voltar tudo ao normal.” Como notavas a perda de potência? Ao fazeres acelerações em arranques por exemplo notavas que havia uma perda de rpm’s antes de ganhar força e arrancar, ou outro exemplo, ao subir mudança e acelerar parecer que deixa de acelerar por um momento e depois continua normal? É que esses são os sintomas do meu desde que o tenho, nunca investiguei isso a sério porque não me atrapalha essa perda de rpm’s, tava na ideia que seriam velas ou algo relacionado mas se for o MAF quanto é a reparação +-?

    Já agora um bom Natal e continuação de bons km’s! 🙂

  6. nuno_br

    Viva! A minha mãe teve um Punto 1.2 8v durante vários anos o qual eu conduzi várias vezes. O motor era de fraco o elo mais fraco do conjunto, mas ainda assim era um carro jeitosinho.
    A perda de potência sente-se particularmente em aceleração, ou quando o motor está em maior esforço, como por exemplo em subidas mais pronunciadas. Não sei até que ponto varia o preço do sensor MAF consoante seja para um motor gasolina ou diesel, mas a última vez que troquei ficou por cerca de 150€.

    Um abraço e um Feliz Natal!
    Nuno

  7. rodrigo.chapelas

    Boa Noite, eu gostaria de saber se o carro esta para venda ou peças a venda? Ou simplesmente se alguém me pode ajudar, tenho um carro igual a este, mas o quadrante/velocimetro so esta a piscar, mantendo a luz do airbag acesa, alguém me sabe dizer do que poderá ser? Obrigado

    • nuno_br

      Viva! O carro não está à venda. O problema que descreve não é raro nestes carros, em particular se tiver tido problemas com a bateria. Quando esta morre acontece por vezes levar consigo também o quadrante (aconteceu no da minha mãe). Não deve ter dificuldades em arranjar um quadrante usado em bom estado.

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